Capítulo 23
O Acampamento da 31ª
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Na última noite antes de acharmos a trigésima primeira, a gente passou horas no escuro contando histórias de caçadores que não morrem. Tami contou a melhor. Era sobre um homem chamado Ademar Quell.
De manhã, ele estava sentado na neve, esperando por nós, com os olhos abertos.
Não tinha fogo. Não tinha mais carvão, e a Garganta não dá madeira. Então Veyra mandou a coluna dormir em rodas, colados uns nos outros, como as ovelhas da Maren nas noites de geada, e a roda maior se formou em volta da maca de Nessa, porque alguém disse que o calor de muita gente ajudava a febre, e ninguém quis discutir.
Foi Tor Dace quem começou. Com a voz baixa, porque Veyra tinha dito que à noite, na Garganta, ninguém fala alto.
— Aposto meio pão — sussurrou ele — que ninguém aqui veio pela glória.
— Você não tem meio pão — disse Mira, a irmã, do outro lado dele.
— Aposto o meio pão que eu vou ter em Última Luz.
Alguém riu pelo nariz no escuro. Acho que foi a Cabo Marn.
— Eu começo — disse Tor. — Pagamento triplo. E a Guilda perdoa as dívidas de quem volta. A gente deve para metade das tavernas do sul.
— Para todas — disse Mira.
— Para todas. — Ele se remexeu. — E porque todo caçador quer, uma vez na vida, um Ancião no nome. Nem que seja para contar que viu. A gente já viu. Então, metade do serviço está feita.
— A gente viu um Ancião matar o Lenz — disse Custódio, de algum lugar. Ninguém respondeu.
Depois de um tempo, Mira falou:
— Conta a do Castelo, Tor.
— Todo mundo conhece a do Castelo.
— O garoto não conhece. — Senti que ela apontava para mim no escuro. — Ele é pastor.
Tor suspirou, e contou, do jeito que se conta uma coisa contada cem vezes em taverna. Um reino antigo, muito longe, com um castelo de pedra negra chamado Schrade. Um dragão preto, maior que o castelo, que desceu numa noite e queimou tudo, rei, torres, gente, até a pedra derreter e escorrer como vela. Diziam que ninguém sabia o nome dele. Que nas cartas da Guilda ele era só "o Dragão Negro". E que, anos depois, um caçador subiu sozinho as muralhas derretidas, e lutou com ele a noite inteira, e desceu de manhã.
— E o dragão? — perguntou Dita. Eu não sabia que ela estava acordada.
— Depende da taverna — disse Tor. — Nas do norte, ele matou. Nas do sul, ele só expulsou. Numa de Três Pontes, o caçador casou com a filha do rei, que não tinha morrido.
— Numa de Três Pontes, o caçador era o dono da taverna — disse Mira, e desta vez muita gente riu, baixinho, com a mão na boca.
— Nenhuma conta os outros — disse Brann.
Ele estava encostado numa pedra, do outro lado da maca, e eu achei que dormia. A voz saiu grossa, calma.
— Toda lenda de caçador que enfrentou Ancião sozinho tem um detalhe que ninguém conta — disse ele. — Ele não subiu sozinho. Subiram quarenta. Desceu um. A taverna só aprende o nome do que desceu.
Ficou um silêncio ruim. Tor não apostou nada.
Tami quebrou o silêncio. Ela nunca aguentou silêncio ruim.
— A da Estrela Safira é verdade — disse ela. — Essa não é de taverna.
— Ninguém sabe se é verdade — disse Tor.
— Meu tio viu os navios. — A voz de Tami tinha aquela teimosia de quando ela falava da família. — Na minha aldeia, no leste. Passaram cinco frotas pela nossa costa, uma de cada vez, em anos diferentes, rumo ao mar aberto. Iam para um lugar que eles chamavam de Novo Mundo, do outro lado do oceano. Era a Comissão de Pesquisa que mandava. A mesma Comissão.
Ouvi Pell se mexer do meu lado. Eu não precisava ver a cara dele. A carta de Crane, em Varnhal, tinha o carimbo da Comissão de Pesquisa.
— A quinta frota levou uma caçadora — continuou Tami. — Ou um caçador, cada marinheiro conta de um jeito. Chamavam de Estrela Safira. Meu tio ouviu dos marinheiros que voltaram. No Novo Mundo, os Anciões atravessavam o mar para morrer, igual aqui. Uma travessia inteira, de dragões velhos. E teve um que era do tamanho de uma montanha. Uma montanha de fogo que andava. Zorah Magdaros. E a Estrela Safira subiu nas costas dele.
— Nas costas — repetiu Dita.
— Nas costas. Com a montanha andando. — Tami estava sentada agora; eu senti a roda se mexer quando ela sentou. — E depois matou um Ancião que comia outros Anciões. E depois desceu até o fundo do mundo, onde os Anciões iam morrer, e lá embaixo tinha uma coisa que brilhava, uma coisa que estava nascendo do que os velhos deixavam, e ela…
— Tami — disse Brann, de novo, com a voz mais baixa.
Ela parou.
— Não fala em Anciões que nascem do que os velhos deixam — disse ele. — Não aqui.
Ninguém perguntou por quê. Eu olhei para o escuro na direção de onde vinha a voz dele, e pensei no minério da Garganta, que era sangue velho de Anciões nas paredes, e no frasco de Crane, e não perguntei também.
— Voltou? — perguntou Dita, depois de um tempo. — A Estrela Safira.
— Dizem que ainda está lá — disse Tami. — Que nunca voltou porque não quis. Que ficou.
— Isso é o que dizem de todo mundo que não volta — disse Sila.
Dita perguntou a coisa que ninguém tinha coragem de perguntar.
— É verdade que caçador vira outra coisa?
Silêncio. Depois, Brann riu. Não o riso grande dele. Um riso curto, cansado.
— Quem te disse isso, menina?
— Minha avó. — Ela falou depressa, como quem tem medo de perder a coragem no meio. — Ela trançava rédea para os caçadores na feira. Dizia que caçador novo é igual a gente. E que caçador velho não é. Que um caçador de verdade cai de um barranco que mata cavalo e levanta. Que carrega uma espada que três carregadores não erguem. Que leva um rugido na cara, desses que deixam a gente surda, e já está de pé antes do eco. Que ela viu um que levou uma chicotada do rabo de uma Rathian e saiu andando. — Ela parou. — É verdade?
Pensei em Brann me levantando do chão da Lapa pela frente do casaco com as duas mãos, como quem levanta um saco. Eu não sou pequeno.
— É — disse Brann.
— Como?
— A Guilda diz que é o treino. E a comida. Que é por isso que caçador come como come, carne de monstro, antes de sair. — Ele coçou a barba; ouvi o barulho no escuro. — Os velhos dizem outra coisa. Que o monstro entra em você. Pelo que você come, pelo sangue que você respira quando abre um, pelo osso que você veste. Que depois da quinta, da sexta caçada de verdade, você acorda um dia e o martelo pesa menos. E você não sabe se é porque ficou mais forte ou porque ficou menos gente.
— E qual é? — perguntou Dita.
— Não sei. Nunca soube. — Brann se ajeitou na pedra. — Só sei como é o caminho. É simples. Ou você vira mais do que homem, ou vira comida. Não tem meio. A Guilda só anota os primeiros.
Ninguém disse nada por muito tempo.
— Eu queria — disse Dita, afinal, tão baixo que quase não ouvi. — Virar. Uma vez. Carregador carrega o que caçador mata. Eu queria, uma vez na vida, ser a que mata.
Brann não riu dela. Isso eu lembro. Ele podia ter rido, e não riu.
— Então sobrevive a esta — disse ele. — Que depois a gente conversa.
Foram falando, um por um, no escuro, como se a pergunta de Tor tivesse aberto uma porta que ninguém conseguia fechar.
Tami veio pela dívida do barco da família, e porque um dia, quando menina, viu da praia os navios da quinta frota passando e decidiu que ia ser a próxima Estrela Safira, e ainda não tinha desistido.
Custódio veio porque o filho dele estava doente, e carregador de expedição a Kharvaal ganha em seis meses o que ele ganhava em quatro anos, e o dinheiro já tinha sido pago à mulher dele, adiantado, em Varnhal. "Eu já fui pago", disse ele. "Agora é só entregar."
Sila, quando chegou a vez dela, disse: "A forca ou isto." E depois de um tempo, quando todo mundo achou que ela não ia dizer mais nada: "Aqui ninguém pergunta o que você fez." E não disse mais nada.
Kaspar, quando Tor perguntou, disse só: "Mandaram." E se virou de lado.
Então a roda ficou quieta, e eu senti, no escuro, que estavam esperando por mim.
— Meu pai — eu disse.
Todo mundo sabia. Eu tinha perguntado da vigésima sétima na frente da expedição inteira em Varnhal. Mas ninguém tinha me ouvido dizer.
— Ele escreveu na carta que ia voltar com uma história tão grande que eu ia precisar crescer para caber nela — eu disse. — Eu cresci. Ele não voltou. Vim buscar a história.
Não falei da espiral. Não falei do que batia debaixo do gelo. Senti Pell parar de respirar do meu lado, e depois voltar.
— Isso é uma boa razão, garoto — disse Brann, baixinho. — É a pior de todas, mas é boa.
— E você, Brann? — perguntou Tami.
Ele demorou.
— Eu vim porque me mandaram embora da Guilda por velho, e depois me chamaram de volta porque não tinha mais ninguém. — Ouvi ele virar a caneca de latão vazia na mão. — E porque eu não sei ser outra coisa. Fui caçador tempo demais. Se o monstro entrou em mim, menina, já não sai.
Tami voltou a falar quando todo mundo achava que ia dormir.
— Tem uma lenda que é daqui — disse ela. — Do vale. Ademar Quell.
— O Quebra-Presas — disse Tor, e havia um respeito diferente na voz dele, de taverna, mas de verdade.
— Ele foi da trigésima — disse Tami. — Voltou. Foi um dos treze. Contam que, no Cinzal, um Teostra atacou a coluna, e que o Quell ficou para trás sozinho, e segurou o Teostra com a espada enquanto os outros fugiam, e que o Teostra foi embora com a cara cortada. Que ele tinha uma presa de Tigrex cravada no ombro da armadura, de um Tigrex que ele matou com as mãos, e que por isso chamavam ele assim. Na minha aldeia tinha um desenho dele na parede do porto. Foi por ele que eu assinei. Ele voltou para cá, cinco anos atrás. Disse que ia abrir o caminho para os próximos.
— Com qual expedição? — perguntei.
— Com a trigésima primeira.
Do outro lado da roda, alguém se mexeu. Não Brann. Mais longe. Na borda, onde eu não via ninguém.
— Durmam — disse a voz de Veyra, do escuro. Seca, sem subir o tom. — Todos. Agora.
E todos dormiram, ou fingiram.
Achamos o acampamento no meio da manhã, onde a descida fazia um patamar largo, protegido por um paredão, o único lugar plano em meio dia de rampa. O melhor lugar para acampar. Por isso eles tinham acampado ali.
Eram vinte e dois.
Sentados na neve, em roda, em volta de uma fogueira apagada. Tinha lenha na fogueira. Lenha de verdade, trazida de longe, arrumada em pirâmide, com um pouco de carvão por baixo. Não tinha sido queimada. Ninguém tinha acendido.
E estavam todos virados para fora.
Não para o fogo, como gente se senta em volta de um fogo. De costas para ele. Com o rosto para o escuro, para as paredes, para a trilha que subia e a trilha que descia. Com as armas atravessadas nas pernas. Arcos, lanças, uma besta leve, duas espadas. Como uma roda de sentinelas. Como gente que passou a noite inteira esperando uma coisa chegar, sem saber de que lado.
A Garganta não apodrece nada. Tomé tinha dito isso, e a mesa da vigésima oitava tinha provado. Os vinte e dois estavam como na noite em que pararam. A pele cinza e dura como couro velho. Os olhos abertos, turvos, cobertos de uma película de gelo. A geada grossa só de um lado do corpo de cada um, o lado de cima, o lado da montanha, como se um vento tivesse soprado por uma noite inteira de uma direção só e coberto tudo de branco.
Nenhum tinha ferida. Olhei. Todo mundo olhou. Nenhuma.
A coluna parou na beira do patamar sem ninguém mandar, como tinha parado na Porta. Ninguém falou. Nenhum carregador deixou a pitada de sal. Nenhum tocou o fio vermelho no pulso. Acho que ninguém lembrou.
No chão, perto do homem que estava mais perto da trilha, tinha um caderno de capa de lona, meio enterrado na neve, preso embaixo da bota dele. Crane chegou antes de todos. Tirou com cuidado, como tirava tudo, abriu, virou as páginas com a ponta dos dedos. A maior parte estava colada pelo gelo. Ele leu uma, em voz alta, sem querer, eu acho. Só a voz saiu, macia, sem cor:
— "Dia quarenta e um. O Clamor chegou cedo. Três semanas antes da conta. Ninguém acende fogo. Ele vem pelo fogo."
Fechou o caderno.
Tami achou o Quebra-Presas.
Não precisou procurar. Estava do lado do homem do caderno, virado para a trilha que subia, a de onde nós tínhamos vindo, como se tivesse passado a noite olhando para ela. Um homem grande, de ombros largos, com a armadura de placas coberta de geada. E no ombro esquerdo da armadura, cravada no couro, uma presa amarelada, curva, do tamanho de um antebraço.
Tami parou na frente dele. Com o arco na mão. Não disse nada. Os olhos dela ficaram grandes e secos, e ela ficou olhando a presa como se esperasse que ele levantasse e contasse a história ele mesmo.
— Ele não matou Tigrex nenhum.
Era Veyra.
Ela tinha atravessado o patamar sem que eu visse, e estava parada do lado de Tami, olhando para o homem sentado. Não para a presa. Para o rosto dele.
— Comprou essa presa num mercado em Varnhal, depois que voltamos — disse ela. — Pagou caro. Disse que o nome dele ia precisar de uma. — A voz dela estava estranha. Igual, e não igual. Como uma lâmina com uma rachadura fina que ainda não quebrou. — E não segurou Teostra nenhum. Ninguém segura um Teostra. Ele correu. Correu três dias pelo Cinzal com um homem nas costas que não conseguia mais andar, e não largou, e chegou em Última Luz com os pés em carne viva.
— Que homem? — perguntou Tami, sem voz.
Veyra não respondeu. Levantou a mão e tocou a cicatriz de gelo no rosto. Da têmpora ao canto da boca.
Eu entendi. Acho que Tami também entendeu.
— Ele disse que ia voltar para buscar os outros — disse Veyra. — Os que a gente deixou. Eu disse que ele era um idiota. — Ela se abaixou. Devagar, como se as costas doessem, e ficou de cócoras na frente dele, com o rosto na altura do rosto dele, os dois olhos, o claro e o escuro, olhando os olhos brancos de gelo do homem. — Você é um idiota, Ademar.
Nunca tinha ouvido Veyra dizer o primeiro nome de ninguém.
Ela estendeu a mão e tentou fechar os olhos dele. Não fecharam. A pálpebra estava dura como o resto, e o gelo não deixava. Ela tentou de novo. E de novo. E na terceira vez a mão dela parou em cima do rosto dele e ficou lá, tremendo, e eu vi os ombros de Veyra Holt, que tinha atravessado a Garganta duas vezes e deixado cinquenta pessoas para trás sem chorar, dar um tranco, e depois outro.
Ela não fez barulho nenhum.
Eu estava mais perto do que devia. Eu estava ali porque Nessa estava ali, na maca, posta no chão a três passos, e eu não saía de perto dela. Veyra sabia que eu estava vendo. Não virou a cabeça. Não mandou eu sair. Deixou.
Foi nessa hora que Nessa chamou pela mãe.
Não baixinho. Alto. Um grito rouco, rasgado, que saiu da maca e bateu no paredão e voltou. Mãe. Depois de novo. Mãe, está frio, mãe, fecha a janela. Ela estava se debatendo debaixo do cobertor, com o rosto vermelho e os olhos abertos, olhando para os vinte e dois sentados, e eu não sei o que ela via, mas não eram eles.
Corri. Me ajoelhei. Segurei as mãos dela. Estavam em brasa. A testa, pior. O suor escorria e congelava no cabelo, e ela puxava as mãos, e chamava a mãe, e não me via.
— Estou aqui — eu disse. — Nessa. Sou eu.
— Mãe.
— Não é a sua mãe. Sou eu. É o Ilian.
Ela me olhou. Por um instante, achei que me via. Depois disse, com a voz de menina:
— Fecha a janela, mãe. Ele vem pelo fogo.
Senti os cabelos da nuca subirem. Ela não tinha ouvido Crane ler o caderno. Estava desacordada quando ele leu. Eu tinha certeza.
Quase tinha certeza.
Olhei o curativo. O pano ainda estava branco. Cheirei, como Brasa cheirava, e senti só erva, vinagre, e por baixo, bem por baixo, aquele cheiro de parede velha. Nada de podre. Nada que eu reconhecesse de ovelha morrendo. Mas a febre tinha subido. Isso eu não precisava cheirar.
Levantei a cabeça, procurando Veyra, porque ela tinha dito: se ela piorar, você não chama o doutor. Você me chama.
Veyra já estava de pé. Tinha tirado a mão do rosto de Ademar Quell. Estava olhando para nós. Para a maca. Para mim. E depois olhou em volta, para os vinte e dois sentados de costas para o fogo que nunca acenderam, e para a coluna da trigésima terceira parada na beira do patamar, cinquenta e nove pessoas cansadas e famintas e com medo, esperando a ordem de seguir, porque era isso que ela tinha ensinado a eles desde Varnhal. Na Garganta, não se para. Os mortos da Garganta ficam na Garganta. A Garganta não devolve.
— Cabo Marn — disse ela.
A voz tinha voltado ao normal. Seca. Pedra de muro.
— Comandante.
— Quantas pás nós temos?
A Cabo Marn demorou para entender.
— Três, senhora. E as lanças.
— Então é com as pás e com as lanças. — Veyra olhou para o chão do patamar, para a neve dura e a pedra embaixo dela. — Ninguém sai daqui hoje. Vamos enterrar a trigésima primeira.
Um murmúrio passou pela coluna. Brann tirou o gorro. Crane, do lado do homem do caderno, abriu a boca, e fechou, e não disse nada.
Eu fiquei ajoelhado ao lado de Nessa, segurando as mãos dela, que queimavam. Ela tinha parado de chamar a mãe. Agora só respirava, curto e rápido, com os olhos meio abertos, virados para cima.
Vinte e duas covas. Na pedra, com três pás.
Olhei para Nessa e me perguntei se, antes de sairmos daquele patamar, eu ia ter de cavar mais uma.
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