Capítulo 34

A Comida de Boas-Vindas

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Em Última Luz, a primeira comida dos que chegam é a comida dos que não chegaram.

Quem me explicou isso foi um menino de doze anos com a boca cheia, sentado do meu lado num banco onde ele não tinha sido convidado a sentar. Mas isso foi no meio da noite. No começo, eu só vi os pratos.


O Salão Comprido era comprido. Não tinha outro nome porque não precisava. Era um barracão de pedra e madeira preta, encostado no paredão como tudo em Última Luz, com o teto alto sustentado por costelas. Costelas de verdade, de pedra cinzenta, curvas, fincadas no chão dos dois lados e se encontrando lá em cima, como se o salão inteiro fosse o peito de um bicho enorme e a gente estivesse comendo dentro dele.

Havia duas mesas compridas, de ponta a ponta, com bancos. Uma de cada lado. No fundo, a cozinha, aberta, com três fornos de pedra e um caldeirão do tamanho de uma banheira pendurado em cima de um fogo de Seiva. O cheiro enchia tudo. Carne, cebola, pão, fumaça, mel. Depois de semanas de mingau ralo e tira de carne seca, aquele cheiro doía.

A 33ª sentou na mesa da esquerda. Ninguém mandou. Simplesmente sentou, como um rebanho novo que entra num pasto e fica junto, num canto. Os de Última Luz estavam na mesa da direita, e nos cantos, e de pé encostados nas costelas, e nas janelas, olhando.

Eram muitos. Mais do que eu esperava. Velhos, com a pele curtida, com cicatrizes que eu não sabia ler. Gente da minha idade, de cabelo trançado e pulseiras de osso. Crianças. E alguns que não eram gente como eu: dois homens altos, magros, de orelhas longas e pontudas, com a pele de um cinza-azulado de pedra de rio, sentados juntos no fim da mesa da direita, sem falar com ninguém. Wyverianos. Eu só tinha visto um na vida, num mercado de Três Pontes, de longe.

Ninguém da mesa da direita falou com ninguém da mesa da esquerda.

Na nossa mesa, na frente de cada banco, havia um prato de madeira e uma colher. Vazios.

E no meio da mesa, separados, havia mais três pratos.

Estes não estavam vazios. Estavam cheios, fumegando, com um ensopado escuro e grosso e um pedaço de pão em cima. E, do lado de cada um, uma caneca cheia. Ninguém estava sentado na frente deles. O banco ali ficou vago.

Eu olhei para os três pratos. Tami, do meu lado, olhou para eles. Veyra, na cabeceira, olhou para eles e não disse nada.


Mãe Duna saiu da cozinha com uma concha na mão.

Era grande. Não gorda: grande. Alta como Brann, larga de ombros e de quadril, com os braços nus até o cotovelo e cobertos de farinha e de pequenas queimaduras de forno, velhas e novas, brancas e rosadas. Tinha o cabelo preto com fios brancos preso num coque torto em cima da cabeça, com dois palitos de osso atravessados. O rosto era redondo e escuro de sol e de fogo, e os olhos eram pequenos, rápidos, e não paravam em lugar nenhum mais de um instante. Andava com a concha como Brann andava com o martelo.

Parou na ponta da nossa mesa. Olhou para nós, um por um, sem pressa, como quem conta pão.

— Três — disse ela. A voz era cantada, arrastada, com o jeito de Última Luz, que alonga o fim das coisas. — Oren disse que vocês perderam três.

— Três — disse Veyra.

— Nome.

Veyra disse. Um por um.

— Tomé Ancel. Carregador. — Mãe Duna fez que sim e pôs a concha em cima do primeiro prato, de leve, como quem toca o ombro de alguém. — Lenz. Soldado. — O segundo. — Custódio Brás. Carregador. — O terceiro.

Mãe Duna ficou um tempo parada, olhando para os três pratos.

— Aqui a gente tem um costume — disse. — Quem chega come primeiro a comida de quem não chegou. Uma colherada de cada um. Porque eles vieram até aqui com fome e não comeram. Então vocês comem por eles. E aí a comida deles não fica fria, e eles não ficam com fome no caminho, e vocês não esquecem que chegaram porque eles não.

Ninguém disse nada.

— Não é reza — disse Mãe Duna. — Não precisa acreditar. Precisa comer.

E estendeu a concha para Veyra.

Veyra se levantou. Foi até o primeiro prato. Pegou uma colherada do ensopado de Tomé e comeu, de pé, sem pressa, olhando para a frente. Depois do de Lenz. Depois do de Custódio. Depois voltou para o lugar e sentou, e o rosto dela não tinha mudado nada, mas a mão com que ela segurava a colher estava fechada com força demais.

Depois Brann. Depois Sila. Depois todos, um por um, em fila, em volta da mesa, cada um com a sua colher, cada um três colheradas.

Quando chegou a minha vez, parei na frente do prato de Custódio. Pensei nas botas com o remendo no calcanhar. Pensei no lenço, no meu bolso. Comi a colherada. O ensopado era grosso, de carne e raiz e alguma coisa amarga no fundo, e estava quente, e desceu devagar. Não senti nada de especial. Só o gosto. Mas pensei que Custódio teria gostado daquilo, e que teria tossido depois, e dobrado o lenço depressa para ninguém ver.

Depois do último, Mãe Duna recolheu os três pratos, com o que sobrou, e levou para a cozinha. Não jogou fora. Eu vi. Despejou tudo de volta no caldeirão grande, e mexeu com a concha.

— Agora é de todo mundo — disse ela, sem se virar. — Como eles.

E começou a servir.


O menino apareceu na segunda tigela.

Não vi de onde. Estava do meu lado, no banco, entre mim e Tami, no espaço onde não cabia ninguém, e cabia ele. Era magro, de cabelo castanho cortado com faca, cheio de pontas, com uma camisa grande demais amarrada na cintura com barbante e os pés descalços e pretos de cinza. Tinha uma tigela na mão que não era dele e comia depressa, com os olhos em mim.

— Você é o que não tem arma — disse ele, de boca cheia.

Tami riu. Eu não.

— Sou.

— Hadrek riscou você. Eu vi. — Ele engoliu. — Ele risca muita gente. Me riscou duas vezes.

— Por quê?

— Pedi uma faca. Duas vezes. — Ele deu de ombros. — Meu nome é Lio. Você é Kest. Oren disse na muralha. Ele disse o seu nome duas vezes, lá em cima, depois que a Comandante leu. A segunda vez, baixinho. Para ele. — Lio me olhou com uma curiosidade funda, sem vergonha nenhuma. — Por que ele disse o seu nome para ele mesmo?

Eu não soube responder. Olhei para a mesa da direita, para a cabeceira, onde Oren estava sentado, curvado, com as mãos em volta de uma caneca, sem comer. Ele não olhava para nós.

— Não sei — eu disse.

— Hum. — Lio voltou para a tigela. — Oren não diz nome à toa. Ele esquece o de todo mundo. O meu ele esqueceu três vezes.

— E os seus pais?

— Morreram. — Ele disse como quem diz que choveu. — No Clamor passado. Os dois eram daqui. — Ele raspou a tigela. — Você vai ficar?

— Não sei.

— Todo mundo diz isso. — Ele se levantou do banco, com a tigela vazia, e ficou me olhando de pé. — Os que dizem "não sei" ficam. Os que dizem "vou embora" morrem. Mãe Duna diz.

E foi buscar mais comida, e voltou, e sentou de novo no meu lado, sem pedir, e ficou ali o resto da noite.


Brasa foi expulso da cozinha antes da terceira tigela.

Eu vi acontecer do banco. Ele tinha se esgueirado para trás do balcão enquanto Mãe Duna servia, e estava de pé num banquinho, na ponta das patas, com o nariz em cima do caldeirão, cheirando, e tinha acabado de pôr a pata dentro do avental. Mãe Duna se virou. Não disse nada. Pegou Brasa pela nuca, como se pega um filhote, levantou do banquinho com uma mão só e o pôs do lado de fora do balcão, no chão, com cuidado.

A mesa da direita inteira riu. A primeira vez que riram de alguma coisa nossa.

Brasa ficou parado no chão, com as orelhas deitadas e o pelo da nuca arrepiado. Depois ajeitou o avental. E, em vez de ir embora, tirou do bolso do meio, do bolso da pimenta, uma coisa pequena, embrulhada num papel, e levantou no ar, na direção de Mãe Duna.

— Pimenta — disse ele. — De Varnhal. Do mar. Das vermelhas. A última.

Mãe Duna parou com a concha no ar.

Olhou para o embrulho na pata de Brasa. Veio até a borda do balcão. Se abaixou, com as mãos nos joelhos, até ficar da altura dele. Pegou o embrulho com dois dedos. Abriu. Cheirou.

E fechou os olhos.

Ficou assim um tempo. Com o embrulho aberto perto do nariz, os olhos fechados, respirando. Eu não sabia o que ela estava vendo. Depois soube: Lio me contou que Mãe Duna nunca tinha saído do vale, que tinha nascido ali, e que a única pimenta que ela já tinha cheirado na vida tinha vindo com a trigésima, oito anos antes, num saquinho do tamanho de um dedo, e tinha acabado em duas semanas.

Ela abriu os olhos.

— Qual é o seu nome, gato?

— Brasa.

— Brasa. — Ela fechou o embrulho, devagar, e deu de volta para ele. Não para ela. Para ele. — Isso a gente não gasta hoje. Isso se guarda para quando precisar. — Ela se levantou. — Amanhã, antes do sol, na cozinha. Você descasca raiz. Se descascar direito, depois você mexe a panela.

Brasa ficou parado. Com a pimenta na pata. Com a boca aberta.

— Ninguém mexe na panela da Mãe Duna — disse Lio, do meu lado, muito sério. — Nem Oren.


Na quarta tigela, as regras.

Foi Oren quem disse. Levantou-se na cabeceira da mesa da direita, com a caneca na mão, e o salão ficou quieto sem ele pedir. Não fez discurso. Disse as regras como Veyra tinha dito as dela em Varnhal, numerando nos dedos.

— Os fogos não apagam. Nunca. Quem estiver de guarda na torre e deixar o fogo baixar não fica mais em Última Luz. — Um dedo. — Ninguém sai sozinho no Clamor. Nem até o poço. — Outro. — Três fogos, três dias. Quem sai e não volta em três dias está morto. A gente não procura. — Mais um. — E o Arquivo não sai da base. Nenhuma página. Nem para ler lá fora. Nem para copiar. Nem para a Guilda.

Olhou para a nossa mesa. Para Crane, que estava sentado no meio, com o caderno fechado ao lado do prato.

— Principalmente para a Guilda.

Crane sorriu e inclinou a cabeça, como um professor que aceita uma correção de um aluno.

— E se alguém quiser ler o Arquivo? — perguntou ele. Com toda a educação do mundo.

— Pede para mim — disse Oren. — E eu digo não.

A mesa da direita riu de novo. Mais alto.

Foi aí que Veyra se levantou.

Não tinha dito nada a noite inteira além dos três nomes. Levantou devagar, e o salão ficou quieto outra vez, de um jeito diferente, porque todo mundo ali sabia quem ela era. Ela olhou para Oren por cima das mesas.

— O diário da trigésima primeira — disse ela. — Está com o doutor Crane. Ele vai entregar ao Arquivo amanhã.

Crane não mudou de cara. Mas o sorriso ficou parado no lugar, sem se mexer, como um quadro.

— A última linha legível — disse Veyra — diz: "Ele vem pelo fogo." Eles morreram sentados em volta de uma fogueira pronta, sem acender. Vinte e dois. Congelados. De costas para ela. — Ela fez uma pausa. — Ademar estava no meio deles. O diário diz que foi ele que pediu. Que ninguém acendesse. Não diz por quê.

O salão inteiro ficou em silêncio. Até as crianças.

Oren não respondeu logo. Pôs a caneca na mesa. Olhou para ela muito tempo.

— Nada vem pelo fogo, Holt — disse ele, enfim. Baixo. Cansado. — Nunca veio. A gente acende três há cento e tantos anos. Se alguma coisa viesse pelo fogo, já tinha vindo.

— Então por quê?

— Porque o Ademar tinha medo de fogo. — Oren olhou para a caneca. — Desde a trigésima. Você não lembra, porque estava nas costas dele, com a cara congelada, sem saber o próprio nome. Mas eu lembro. Ele chegou aqui com você nas costas e com os pés em carne viva e, na primeira noite, Mãe Duna acendeu o fogo da casa de febre, e ele se levantou e saiu, e dormiu no pátio. Na cinza. Três dias. Não chegava perto de uma chama. Comia frio.

— Por quê? — perguntou Veyra de novo. A voz dela tinha mudado.

— Ele viu gente queimar. No Cinzal. Na trigésima. Quando vocês atravessaram. Um acampamento inteiro. Não era um fogo que vinha atrás deles. Era o fogo deles mesmos, a fogueira deles, que pegou na seiva das árvores numa noite seca e virou um incêndio em volta de onde eles dormiam. — Oren ergueu os olhos. — Ele nunca te contou?

Veyra não respondeu.

— Ele tinha pesadelo com isso — disse Mãe Duna, do balcão, baixinho. Estava com a concha parada na mão. — Ele gritava de noite. Eu dava leite quente para ele. Frio. Ele não tomava quente.

— Então ele mandou não acender — disse Oren. — Na Garganta. No frio. E eles obedeceram, porque era o Ademar Quell, que segurou um Teostra com as mãos. — Ele riu, sem som. — Não vem nada pelo fogo, Holt. O que vem pelo fogo é o frio que a gente passa com medo dele.

Veyra ficou de pé mais um tempo. Depois sentou. Pôs as duas mãos na mesa, espalmadas, e olhou para elas.

Eu pensei na fogueira da trigésima primeira, que ela tinha acendido contra o diário, e em Nessa melhorando um pouco naquela noite, ao lado dela. E em nada ter vindo.

— A fogueira de Seiva até espanta bicho — disse Oren, sentando também. — Os grandes não gostam do cheiro. É por isso que são três. Não é por nada que venha. É para as coisas que não vêm.

A presa de Quell estava no cinto de Veyra. Ela não tocou nela. Mas eu vi os olhos dela descerem até lá, e voltarem.


O cuspe veio depois.

A comida tinha voltado, e as vozes também, e o salão tinha começado a parecer um salão. Tor Dace contava a história da bota furada para ninguém, em voz alta. Sila comia sem falar, mas comia muito. Dita estava encostada em Tami, meio dormindo. A mesa da direita tinha voltado a conversar entre si, e às vezes alguém de lá olhava para cá e não desviava depressa.

Um rapaz se levantou da mesa da direita.

Tinha a minha idade, talvez um pouco mais. Alto, de ombros finos, com o cabelo claro trançado e um arco nas costas mesmo ali dentro, e um rosto bonito e bravo, do tipo que já nasceu com a sobrancelha franzida. Passou por trás da nossa mesa, devagar, de propósito, olhando para os pratos. Parou atrás de Sila.

E cuspiu. No chão. Do lado do banco dela.

— Mais bocas — disse ele. Não alto. Mas alto o bastante.

Sila não se virou. Continuou comendo. Levou a colher à boca, mastigou, engoliu.

— Mais túmulos — disse o rapaz.

Sila pôs a colher no prato.

Se virou no banco. Devagar. Olhou para ele de baixo para cima, para o arco, para a trança, para a sobrancelha franzida.

— Esse arco é seu? — perguntou ela.

O rapaz piscou.

— É.

— Está com a corda torcida. A de baixo. — Ela voltou a se virar para o prato. — Vai partir no frio. Uma volta a mais, frouxa. Quem me ensinou morreu. Não precisa agradecer.

A mesa da direita, que estava quieta, olhando, soltou uma coisa que não era bem uma risada. O rapaz ficou vermelho do pescoço até a testa. Abriu a boca. Olhou para o próprio arco, por cima do ombro.

— Kellan — chamou uma voz da cabeceira. Oren. Sem levantar a cabeça da caneca. — Senta.

Kellan sentou. Mas, antes, olhou para Sila de novo. Não com raiva. Com uma coisa pior. Com interesse.


A noite estava acabando quando Hadrek veio até a nossa mesa.

Eu estava quase dormindo, com Lio encostado em mim, dormindo de verdade, com a boca aberta e uma casca de pão na mão. O ferreiro andou pelo corredor entre as mesas, devagar, com a barriga na frente e a mão sem pele enrolada no couro, e parou do meu lado.

Tinha alguma coisa debaixo do braço bom. Comprida. Enrolada num pano sujo de óleo.

Ele pôs na mesa, na minha frente, em cima do prato vazio. O barulho fez Lio acordar.

Desenrolou o pano com a mão boa.

Era uma espada. Velha. Uma espada de lâmina reta, larga, mais comprida que a do Tadeu, com o fio cheio de pequenos dentes onde tinha sido amolada e reamolada muitas vezes, e uma mancha escura perto do punho que tinha comido o metal. O punho era de couro gasto, preto de mão. A guarda era uma barra simples de ferro, torta de um lado.

— Arma de morto aqui não se enterra — disse Hadrek. — Se usa.

Eu olhei para a espada. Para ele.

— De quem era?

— De um da vigésima sexta. — Ele puxou o pano de volta, dobrou, enfiou no avental. — Chegou com o Oren, trinta e quatro anos atrás. Morreu no segundo Clamor dele. Não tinha filho. Não tinha ninguém. A espada ficou na parede da Forja, esperando alguém que não tivesse nada.

— Qual era o nome dele?

Hadrek me olhou. Pela primeira vez, me olhou de verdade, com os olhos, e não com a lista.

— Por quê?

— Porque eu quero saber de quem eu estou usando.

Ele ficou calado. Lio, do meu lado, olhava para a espada com a boca aberta.

— Bertram — disse Hadrek. — Bertram Sallow. Era ruim de espada. Bom de sobreviver. Sobreviveu a dois Clamores, com isso aí, sendo ruim. — Ele deu as costas. — Tenta não perder, Kest. Eu não tenho outra.

E foi embora.

Eu fiquei olhando a espada de Bertram Sallow em cima do meu prato. Pus a mão no punho. Estava frio. O couro gasto tinha a forma de outra mão, mais larga que a minha, e os meus dedos não encaixavam nos sulcos que os dele tinham deixado.

— Ele não risca você mais — disse Lio, com a voz de quem conta um segredo. — Quando ele dá coisa, ele apaga o risco.

Não sei se era verdade. Mas, naquela noite, eu dormi com a espada de um morto do lado do corpo, no chão de um barracão, dentro da barriga de pedra de um bicho que ninguém sabia o nome. E a coisa lá embaixo continuou batendo, e eu continuei ouvindo, e, pela primeira vez, ouvi como quem ouve a chuva. Sabendo que está lá. E dormindo assim mesmo.

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