Classificação: 16 anos
Esta história tem: palavrões e linguagem imprópria, cenas de terror ou medo intenso, preconceito ou discriminação, violência, drogas, álcool ou cigarro, nudez ou insinuação sexual, suicídio ou automutilação, violência gráfica ou extrema (tortura, mutilação).
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- #horror cósmico
- #horror lovecraftiano
- #dark fantasy
- #weird fiction
- #fantasia sombria
- #mistério
- #realidade alterada
O Arquivo das Coisas que Nunca Existiram
O Mundo que Está Apodrecendo para Dentro
Contém: palavrões e linguagem imprópria, cenas de terror ou medo intenso, preconceito ou discriminação, violência, drogas, álcool ou cigarro, nudez ou insinuação sexual, suicídio ou automutilação, violência gráfica ou extrema (tortura, mutilação).
de Rafael
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Sobre a história
Em um mundo onde um acontecimento só é real se houver provas, o arquivista trabalha preservando registros de pessoas, terras e linhagens. Um dia chega ao arquivo uma pasta de documentos sobre uma cidade que não existe. As assinaturas são autênticas, as árvores genealógicas remontam a séculos e os selos conferem. Mas nenhuma das famílias citadas ouviu falar das outras, e a região onde a cidade deveria estar é habitada há gerações por gente que nunca viu nada ali.
Quando tenta corrigir os papéis, o arquivista descobre que o próprio arquivo já tem um setor inteiro dedicado à cidade. Os funcionários trabalham lá todos os dias, e nenhum deles se lembra de ter entrado.
Ele não pode denunciar o caso. Se os registros forem reconhecidos como verdadeiros, milhares de heranças, propriedades e identidades terão de ser reconsideradas. Ele também não pode ignorá-lo. Cada tentativa de corrigir um documento cobra algo dele, e a primeira coisa a ir embora é a lembrança da cidade onde nasceu.
Enquanto isso, o mundo continua funcionando. Casas são aquecidas com o que se extrai das ruínas, médicos tratam a contaminação como rotina, e a fé e o comércio se alimentam do que deveria estar enterrado. A cidade não foi apagada. O mundo foi alterado para que ela nunca tivesse existido, e os documentos são o que sobrou de uma versão anterior da realidade.
Resta saber quantas vezes isso já aconteceu e por que alguém está deixando os vestígios reaparecerem agora.
Longe do arquivo, um vulto sem rosto, feito de breu em forma humana, lê o livro em silêncio. Ele não julga nem intervém. Observa uma página começar a se quebrar.
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